O sonhar de Neil Gaiman, por João Vitor M. Buarque

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A década de 90 foi uma época impactante para o universo dos quadrinhos. Postivamente… e negativamente. Foi nesse cenário que Neil Gaiman criaria, uma das HQs mais influentes da história e também seu magnum opus: Sandman, publicada pelo selo Vertigo, da DC Comics. Gaiman já era conhecido por outros trabalho nos quadrinhos, como por exemplo Orquídea Negra (também da Vertigo).

Mas por onde começar a resenhar Sandman?
Primeiramente é preciso saber quem, ou o que, são Os Perpétuos. Para isso, é preciso que se tenha em mente que para Gaiman (e como a HQ se passa no universo DC, pelo menos o da época, também no universo dela) todos os deuses existem, só que seus poderes e sua influência provém da fé que a humanidade tem neles (conceito que Gaiman voltaria a explorar no seu livro Deuses Americanos).

Dito isso, Os Perpétuos são sete irmãos. Não são deuses, mas sim personificações de aspectos do universo. São eles: Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Deleite — que irá se tornar Delírio (em inglês todos os nomes começam com um “D”, por isso Morte e Sonho também são chamados de Desencarnação e Devaneio em português). Eles surgiram a partir do primeiro ser vivo surgiu e estarão presentes no universo até o fim dos tempos, sendo a Morte a última que sobrará para “fechar a porta”.

De uma forma simples e curta, a história de Sandman pode ser descrita assim: é sobre Sonho (também popularmente chamado de Morfeu) tentando consertar “erros do passado”, que vão desde relacionamentos mal resolvidos até o convívio com os irmãos e outros parentes. Tudo isso devido a um acontecimento: Sonho ficou ausente (não irei dar spoilers e falar o porquê disso aqui) e durante esse tempo, digamos que ele… “mudou”.
Sonho/Morfeu também tem que consertar coisas que saíram do controle durante sua ausência, como por exemplo seres que escaparam do seu reino — o Sonhar — para a Realidade.
Mas também há momentos nos quais o foco não é em Sonho nem em qualquer Perpétuo, contudo, sempre há algum tipo de participação deles.

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Sandman é uma das maiores HQs (se não a maior) de todos os tempos pela profundidade na qual Gaiman explora Sonho e suas desventuras. Profundidade essa que vai desde o relacionamento entre os irmãos Perpétuos, até como se explora a filosofia da “fantasia” do Universo.
Cito aqui uma parte logo no início da HQ, quando Sonho vai para o Inferno Cristão recuperar seu elmo. Lá ele entra em um combate com o demônio Choronzon, onde cada um deve falar algo que seja mais forte que o outro, até que um deles fale algo tão poderoso que o outro não consiga revidar. Então, depois de um tempo, o demônio fala:

“Eu sou  anti vida, a besta do Julgamento. Eu sou a escuridão no fim de tudo. O fim dos universos, deuses, mundos… de tudo!”

 

  E Sonho responde:

“Eu sou a esperança.”

 

E assim Sonho ganha.
Outros marcos também são os encontros de Sonho com um homem que não queria nunca morrer, além de Shakespeare. Sempre há um tom de filosofia e misticismo nas histórias.

Sandman de Neil Gaiman é a terceira reformulação desse nome da DC Comics. A primeira foi sobre um herói da Era de Ouro que, tendo como identidade secreta o nome Wesley Dodds, era um herói a la Batman, com o diferencial de possuir uma arma que faz as pessoas adormecerem (e ele tem participação em “Sandman” do Gaiman).  A segunda versão, de Jack Kirby (SIM, ESSE JACK KIRBY!) e Joe Simon, teve uma forma mais “genérica” de super herói. Até que veio a vez de Gaiman reformular com apenas uma regra: manter o nome.

 

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Há vários spin offs de Sandman. Talvez o que mais valha a pena falar aqui é o que traz sua irmã mais velha, a Morte, cujas histórias retratam sua personificação, embora o tema central seja justamente sua ideia (a morte).
Todas as edições de Sandman, Morte e outras histórias ligadas à obra do Gaiman já foram publicadas pela Panini Comics aqui o Brasil. Um filme está em processo de produção, mas desentendimentos por parte das equipes envolvidas na adaptação colocam em dúvida o rumo das filmagens.

Outras produções de Neil Gaiman que podem ser citadas são Coraline, Stardust, Deuses Americanos, O oceano no fim do caminho e Os filhos de Anansi. Gaiman é inglês, mas reside nos Estados Unidos, e atualmente é casado com a cantora Amanda Palmer.

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