“Lugar indefinido”, de Viviane de Freitas

 

buscar respostas no passado só faz nublar o futuro
esse eu antigo não sabe quem é o eu do presente
são versões de uma mim-lesma
vivendo uma quaresma eterna de santos de cara encoberta
vestidos de escuro e penitências infinitas
ofereço todas em busca de uma miragem de paz
o dourado que habitava meu coração está submerso
coberto de chagas duras, coágulos de dor
seu brilho opaco não flameja
não há chama
o círio está apagado
esperando a páscoa da insurressurreição
alguém por favor me mostra onde está o interruptor
quero reacender essa luz.

 

Do livro Poesia de geladeira. 2017.

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